Futuro e Propósito

O que é “Arautos do Evangelho”?

Igrejas cercadas por muros altos, castelos no meio da mata, pessoas com trajes medievais, correntes na cintura, orações em latim, polêmicas, acusações, mistério. O que é “Arautos do Evangelho”? Uma seita? Uma nova religião?

Muitas vezes, somos surpreendidos com algo diferente, que foge à rotina e ao lugar comum e, se não entendemos o que vemos, corremos o risco de julgar, criticar ou acreditar no que dizem a respeito.

Mas, nem sempre as polêmicas em torno de um assunto correspondem à verdade a respeito dele, afinal, o escuro parece assustador até que se acenda a luz. E, neste artigo, pretendemos acender a luz sobre o grupo Arautos do Evangelho. Quem são? Onde vivem? Como surgiram? Qual a sua relação com a Igreja?

Pra começo de conversa

Em primeiro lugar vamos entender o que significa arauto. Assim como a aparência dos Arautos do Evangelho, o termo “arauto” nos remete ao período medieval. Os arautos, como podemos ver em alguns filmes de época, eram os mensageiros que, se vestiam com roupas coloridas e anunciavam sua presença com um clarim ou tambor. 

Eram encarregados dos anúncios dos assuntos dos reinos ou de membros da corte para a população, e também faziam proclamações solenes, reconhecimento de títulos de nobreza, anúncios de guerra e de paz.

Ao fazerem qualquer anúncio, era comum subirem em plataformas no meio das praças ou nas ruas, de forma a chamarem a atenção dos passantes. Mas, em geral, bastava a sua presença para que as pessoas afluíssem de todos os lados.

A partir do séc. XII, além de mensageiros, os arautos se tornaram também os responsáveis por criar e regulamentar os brasões de armas, prática que se tornou conhecida como heráldica.

Nos dias de hoje, os arautos ainda estão presentes nos países onde impera a monarquia; são eles que apregoam os casamentos reais e fazem as aclamações dos reis, embora de uma forma bem mais discreta do que na Idade Média.

Os Arautos do Evangelho também servem a um Rei

Voltando para o tempo atual, os religiosos conhecidos como Arautos do Evangelho, embora tenham surgido na modernidade, recebendo a aprovação pontifícia já no início do século 21, também são mensageiros de grandes notícias e servem a um grande Rei.

Surgiram aqui mesmo, no Brasil, e embora estejam presentes em 78 países, servem todos a uma mesma Rainha e um mesmo e único Rei: Jesus e Maria. E entendem bastante de heráldica!

Eles não sobem em estrados no meio das praças ou nas ruas para fazerem os seus anúncios, mas, sim, em púlpitos de igrejas, salas de aula, centros de eventos e plataformas virtuais.

Não usam roupas coloridas como os arautos da Idade Média, mas é impossível não chamarem a atenção nos lugares por onde passam, pois conservam um jeito sui generis de se vestir. 

Hábitos de corte sóbrio, branco-marfim para alguns e totalmente marrom para outros. Todos com longos escapulários ostentando a peculiar cruz de Santiago, com seu formato de espada e os braços terminados em estilizadas flores de lis.

As cores são o branco e o vermelho, divididas por um fio dourado. Chama a atenção, mas não de uma forma mundana, e sim como algo que evoca um sentimento muito elevado.

Diferentes dos hábitos dos Franciscanos ou dos Beneditinos, as vestes são mais curtas, deixando entrever as botas pretas de cano longo, sempre muito bem engraxadas. Uma grossa corrente na cintura confere ainda mais seriedade ao traje e, pendente desta corrente, um vistoso Rosário que serve não apenas de ornamento, mas é um sacramental de uso diário nas orações deles. 

Trata-se de um grupo independente? Uma seita? Uma nova religião?

No peito ou no colarinho, dependendo da função ocupada, levam as chaves pontifícias, dando indícios de a quem servem. Os clérigos (sacerdotes e diáconos), de hábito marrom, ostentam as chaves douradas do lado esquerdo do peito e os demais, leigos consagrados e membros do ramo feminino, ostentam um medalhão de nossa senhora que tem as chaves pontifícias por base, portanto, é fácil concluir que os Arautos do Evangelho estão ligados ao Vaticano, que é um Estado teocrático-monárquico, conquanto seja uma monarquia eletiva e não hereditária.

Não se trata, portanto, de uma seita, um cisma ou uma nova religião. Os Arautos do Evangelho constituem uma  Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício, servem à Igreja Católica e ao Papa, e têm por finalidade principal o anúncio da Boa Nova trazida pelo Rei dos reis. 

Por amor e fé, fizeram-se escravos de Maria, a Rainha dos homens e dos Anjos, e um dos principais anúncios que fazem continuamente é sobre o do triunfo do seu Imaculado Coração, proclamado por Ela em suas aparições em Fátima.

Também incentivam as pessoas a rezarem o Rosário e a se consagrarem a Jesus pelas mãos de Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort. Disponibilizam um curso preparatório para a consagração, online e totalmente gratuíto, para o qual já receberam mais de 2 milhões de inscrições. 

Por que eles vivem em castelos?

Suas casas não são exatamente castelos, embora algumas delas lembrem os belos castelos medievais. Na verdade, são residências comunitárias, onde habitam, separadamente, homens e mulheres de vida consagrada, levando uma vida coerente com a sua missão de evangelizadores.

Como nos antigos mosteiros, em várias casas onde vivem, eles fabricam o próprio pão, dedicam-se à apicultura e fazem até cerveja artesanal!

Baseados no lema de São Bento de Núrsia “Ora et labora”, os Arautos não praticam a ociosidade. Com fabulosas bibliotecas e centros de formação, estudam, trabalham e dedicam-se à oração, e o tempo que sobra – e sobra! – empregam-no muito bem nas obras de assistência aos necessitados. 

Uma vida espiritual riquíssima, de homens e mulheres que praticam a virtude e a caridade e se despojaram de todos os bens materiais para viverem exclusivamente a serviço de Deus e da Igreja.

Em suas casas, destaca-se a ordem, a beleza e a disciplina. Seja numa casa grande ou nas residências menores, sempre se encontrará a mesma organização, o mesmo asseio, a mesma harmonia e a mesma beleza – além, é claro, de seus magníficos jardins. 

O estilo das casas é condizente com o carisma do grupo, de primar pela ordem e pelo belo, oferecendo sempre o melhor a Deus.

Isso sem falarmos em suas esplendorosas igrejas em estilo neogótico, consideradas por quem as visita como uma “antessala do Céu”.

Campo Grande
Cariacica
São Carlos
Cotia
Nova Friburgo
Caieiras
Maringá
Piraquara
Ponta Grossa
Joinville

Música celestial

Outro capítulo à parte, é a dedicação deles à música sacra, em especial ao canto gregoriano. O fundador dos Arautos do Evangelho, Monsenhor João Clá Dias (1939-2024) era um exímio maestro, dono de uma voz inigualável e habilidade com vários instrumentos. Ele sempre procurou reconhecer e aperfeiçoar o dom musical em todos os seus filhos espirituais que apresentavam o pendor para a música.

Essa paternal dedicação rendeu o Coro e Orquestra Internacional dos Arautos do Evangelho, com excelentes músicos, que podem ser apreciados em Missas, concertos e apresentações culturais. Eles já gravaram álbuns de canto gregoriano e músicas natalinas, que podem ser encontrados na internet e em plataformas de música como o Spotify

Na época de Natal, e também nas cerimônias da Semana Santa, é quando os músicos ganham maior destaque, com a apresentação de peças de grandes autores, em diversos ritmos e estilos, sempre tendo o Rei e a Rainha como os principais homenageados.

Acusações sem provas

No entanto, pode ser que você não tenha ouvido falar apenas bem dos Arautos e pode ter chegado até os seus ouvidos que eles já estiveram envolvidos em polêmicas e que houve até denúncias contra eles. E é verdade, isto, de fato aconteceu. Desafetos existem e todos os têm.

Entre 2017 e 2019, o Vaticano iniciou uma visita apostólica aos Arautos para averiguar questões de estilo de governo, formação de vocações e administração, e o Ministério Público fez uma investigação, com base em acusações de ex-membros do grupo envolvendo alegações de abusos físicos e psicológicos.

O assunto foi largamente explorado pela mídia sensacionalista, que fez o caso parecer muito maior do que, de fato, era. 

Em meio às averiguações, no dia 12 de abril de 2022, a Justiça de São Paulo determinou que crianças e adolescentes que estudavam nos Colégios ligados aos Arautos em regime de semi-internato retornassem às suas casas, mas a decisão foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 4 de maio de 2022, menos de um mês depois, por falta de elementos que comprovassem as alegações.

Em 23 de julho de 2024, a Justiça de São Paulo extinguiu a ação civil pública movida pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que acusava os Arautos de violações aos direitos de crianças e adolescentes. 

A juíza Cristina Ribeiro Leite Balbone Costa considerou que a Defensoria não tinha legitimidade para o caso, pois as famílias dos alunos estavam representadas por advogados e cientes das práticas da instituição, apresentando abaixo-assinados e realizando movimentos para que seus filhos permanecessem nas escolas que elas mesmas tinham escolhido para eles. 

Arautos sem segredos

Injustiça? Perseguição? O que de fato aconteceu durante esses anos? Isso é algo que um dia saberemos – ou não, mas que causou grande consternação nas pessoas que conhecem, acompanham e apoiam os Arautos desde a sua fundação em 1999, tendo recebido aprovação pontifícia do Papa João Paulo II em fevereiro de 2021, e total apoio e reconhecimento do Papa Bento XVI, que concedeu a aprovação para os outros institutos criados por Monsenhor João Clá, a Sociedade Clerical de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli, que engloba os membros com vocação sacerdotal, e a Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum, ramo feminino.

Houve quem pensasse e até torcesse para que essas ações provocassem a queda dos Arautos. Mas, como aconteceu com outras ordens religiosas que sofreram perseguição no passado, eles passaram pelo desafio da provação, mantendo a fé, a disciplina, a caridade e o bom ânimo que sempre os caracterizaram e, numa atitude inusitada, resolveram abrir a sua intimidade ao mundo com a criação do canal “Arautos sem Segredos”, que você pode visitar e saber muito mais a respeito deles: https://www.youtube.com/c/arautossemsegredos

Eles podem ser diferentes, mas são plenamente católicos, submissos ao Papa e obedientes ao Magistério, representando os valores cristãos e a verdadeira missão da Igreja, desde os tempos primitivos até os dias atuais: evangelizar e acolher.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Um blog under 30 pra quem está meio perdido, mas sabe que precisa se encontrar (ou não).

Somos Tão Jovens @ Desde 2023. Todos os Direitos Reservados.